sábado, 2 de janeiro de 2016

Sobre... Personagens - Lidando com os “Percalços” da Criação

“Infelizmente, seu personagem morreu. Prepara outra ficha de personagem ai.”
- Narrador para um dos Jogadores do grupo
(que não sabe se ri ou se chora, depois do trabalho que teve criando o personagem)

Saudações meus amigos. Espero que todos tenham tido uma excelente virada de ano... e começado 2016 rolando sucessos decisivos! rs

Bom, como eu estava “aposentado” do RPG fazia alguns anos, eu realmente só comecei a ter um maior contato com a 5.ª edição do Dungeons & Dragons nos últimos meses (apesar de ler uma ou outra notícia relevante esporadicamente... talvez escreva algo sobre o mesmo em uma oportunidade futura). Nesse breve período, testemunhei (assim como vivenciei) algumas situações não tão prazerosas, a princípio relacionada a um ponto chave existente em praticamente todos os sistemas: a criação de personagens.

(Nota do Veterano: antes que ocorra qualquer mal entendido, gostaria de deixar desde já, algo bem claro. Apesar de terem ocorrido em mesas de D&D 5E, tais eventos podem facilmente acontecer utilizando-se QUALQUER sistema – o que de fato presenciei inúmeras vezes, tanto como Jogador, quanto como Narrador, antes de parar de jogar anos atrás. Estando isso esclarecido, continuem apreciando a leitura do artigo.)

Diversão ou "Trabalho"? Cada jogador enxerga o momento de criar personagens de uma maneira...
Seja para uma campanha (ou até mesmo uma aventura “One Shot”) se iniciando ou já em andamento, SEMPRE acabamos precisando dedicar algum tempo ao processo de criação de personagens, independentemente de qual seja o sistema de jogo utilizado. Infelizmente, em alguns casos, acabamos investindo mais tempo do que talvez gostaríamos nesta etapa, por mais familiarizados que estejamos com o processo.

Enquanto em alguns sistemas tal processo é relativamente rápido (ex.: 3D&T, Savage Worlds), em outros pode acabar exigindo mais tempo do que o necessário ou disponível no momento (ex.: Chamado de Cthulhu, D&D). E isso focando apenas na questão do preenchimento da ficha em si, abstraindo propositalmente a parte de conceituação e caracterização dos personagens da história... (se incluirmos isso na questão, o tempo dedicado geralmente é ainda maior, rs).

Como lidar com isso (sem prejudicar a diversão do grupo como um todo, preferencialmente)? Eis algumas possíveis sugestões, que podem ser utilizadas (simultaneamente ou não):

Planejem os personagens com antecedência:
Reservem um dia de jogo SOMENTE para trocar ideias sobre quem jogará com o quê, assim como preparar as fichas dos personagens. Assim, pelo menos todos já irão “preparados emocionalmente” para lidar com os potenciais momentos de ociosidade. Se depois disso tudo ainda restar tempo suficiente, o Mestre pode até narrar um prelúdio, se assim desejar... o que vier é lucro! rs

Criar (com antecedência, só para constar...) um grupo virtual com o mesmo objetivo pode funcionar tão bem (ou mais) quanto à solução anterior... desde que todos os jogadores possuam facilidade de acesso ao mesmo. Assim, é possível reservar um tempo mínimo no dia do jogo apenas para o Narrador do grupo “aparar as arestas” nas fichas e começarem a se divertir.

Tenham sempre opções de reserva (o método “Dark Sun” ou “Narrativa de Evento”):
"Meu personagem morreu? NÃAAAAOOOOO!!!"
Às vezes, é complicado prever quando um personagem morrerá no meio da sessão de jogo devido a uma “fatalidade dos dados” (Nota do Veterano: por acaso escutei alguém gritando “falha crítica” lá no fundo da sala? 100 pontos de experiência virtuais para você! rs), ou quando um novo jogador irá “cair de paraquedas” bem no meio à aventura ou campanha querendo participar.

Em situações assim, possuir algumas fichas construídas previamente pode remediar a situação de modo paliativo e/ou imediato, sem “travar” (muito) o andamento do jogo. E no caso do “jogador de última hora”, ele pode criar um novo personagem ao seu critério depois (FORA das sessões de jogo), caso não queira continuar com o que utilizou.

Sempre possua “Plano(s) de Contingência”:
Um recurso muito útil aos Narradores naquelas típicas situações em que boa parte do grupo fez a “gentileza” de não terminar de preparar seus personagens para o jogo... ou lhe atribuíram à cadeira de Mestre no último instante. Sempre que possível, tenha como “coringa” uma aventura “One Shot” (com personagens prontos também) ou algum outro jogo (board games, card games, que seja) em que todos os presentes possam participar.

A princípio alguém pode até torcer o nariz, mas certamente será melhor do que cancelar a sessão de jogo (já que todos estão presentes) ou lidar com metade do grupo disperso e entediado enquanto os “retardatários” estão criando seus personagens.

Em grupos com mais de um Narrador, sempre é interessante que estes combinem entre si algo do tipo previamente. Assim um pode “proteger o outro” em situações desse tipo. Sem contar o fato de que estas podem acabar se tornando excelentes oportunidades para experimentar jogos novos ou cenários.

Dark Sun Boxed Set - Cenário do AD&D
Bom, muitos provavelmente já devem conhecer (assim como utilizar) algumas das ideias propostas aqui, senão todas. Mas e vocês, meus amigos? Seus grupos se utilizam de alguma solução diferente? Fiquem a vontade para compartilhar conosco. O Veterano certamente apreciará acrescentar alguns truques novos ao seu repertório. ;-)

Nota do Veterano: os RPGistas Veteranos (principalmente os dos tempos do Advanced Dungeons & Dragons) certamente pegaram a referência do método “Dark Sun”, mas para os mais novos, eis um breve resumo: o mundo de Athas (do cenário oficial de AD&D, Dark Sun) é um lugar tão inóspito, agressivo e mortal que, na própria caixa básica e nas aventuras do cenário costumavam vir recomendações aos Mestres para que os Jogadores criassem três personagens de uma vez, todos a partir do 3.º nível (saindo do rotineiro padrão de 1.º nível da época), pois caso algum deles morresse no decorrer do jogo, eles já teriam os potenciais “substitutos” a mão, prontos para serem utilizados.
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