terça-feira, 10 de novembro de 2015

Sobre... Warcraft - Recapitulando a História de um Mundo

“Por Azeroth!”
- Rei Varian Wrynn

Anaheim, Califórnia. Nos últimos dias 6 e 7 de novembro, a empresa Blizzard Entertainment realizou mais uma edição da BlizzCon, seu evento anual que reuniu física e virtualmente – através da aquisição de um Ticket Virtual que garantiu o acesso a transmissão em tempo real do evento via streaming – uma “legião” de milhares de fãs de suas franquias de jogos. Todos ansiosos pelas novidades de seus jogos favoritos e produtos relacionados... e entre estes, a divulgação do trailer oficial da adaptação do mundo de Warcraft para o cinema, que desde o seu anuncio na edição de 2013, tem gerado expectativa e tirado o sono (Exagero? Talvez... ou talvez não!) de muita gente.

Bom, os anfitriões do evento cumpriram o que prometeram, e poucas horas após a abertura da BlizzCon, divulgaram o primeiro trailer oficial do filme, que logo em seguida foi disponibilizado no Youtube. E, em menos de três dias, ele já havia ultrapassado a impressionante marca de 13 milhões de visualizações (e continua aumentando). Mas não escrevi tudo isso somente para falar do trailer ou do filme em si, mas sim, sobre o mundo no qual ele será ambientado: Azeroth.


Capa do Primeiro Jogo.
O enredo do filme, tem como foco o primeiro contato (nada amistoso) entre a “horda” de orcs – vindos do devastado e moribundo mundo de Draenor, através de um imenso portal místico – com a “aliança” dos humanos e demais povos de Azeroth, no que historicamente ficou conhecido no cenário como A Primeira Guerra. Em linhas gerais, essa foi à trama apresentada no primeiro jogo da franquia, Warcraft: Orcs and Humans (lançado em 1994), cuja história e repercussões de tal conflito continuaram evoluindo através dos jogos seguintes e suas expansões (ou será que deveria dizer “DLCs” para não ficar muito por fora da “nova moda” dos games? rs). Isso sem falar dos vários contos, romances e histórias em quadrinhos que foram publicados ou disponibilizados gratuitamente, e que sempre contribuem a sua maneira para o enriquecimento de uma ambientação.

A questão é que, nestas circunstâncias, o volume de informações fragmentadas em meio a tudo isso é gigantesco, principalmente para um leigo que está tendo seu primeiro contato com Azeroth agora, seja a partir de romances que foram publicados no Brasil pela editora Galera Record, seja a partir das expansões mais recentes de World of Warcraft (apesar de praticamente toda a história até o momento estar lá, espalhada entre as descrições das missões, o que exigiria uma boa dose de tempo e paciência para ser assimilada... e não é todo mundo que tem essa “dedicação”, principalmente dentro de um jogo eletrônico. rs)

Poster Oficial do Filme.
Para a Blizzard, o filme de Warcraft é uma tentativa de começar a fazer com que as pessoas que ainda desconhecem esse universo do jogo ou se encontram em alguma das condições citadas acima, tenham contato com esta história (assim como atrair novos potenciais jogadores... isso é um fato). Mas uma coisa que andou chamando minha atenção nos últimos dias, principalmente nas redes sociais, foram alguns comentários negativos sobre o filme... e isso tendo somente algumas cenas em uma montagem de dois minutos como “embasamento” para os argumentos!

Para você que está lendo este artigo, gostaria de deixar um conselho (ou sugestão, se assim preferir): não deixe que tais opiniões “tóxicas” influenciem seu julgamento. Mas principalmente, NÃO SEJA VOCÊ uma fonte desse tipo de opinião nociva. Aguarde o filme de mente e coração abertos... afinal, adaptações para mídias diferentes SEMPRE tem mudanças, sejam elas boas ou ruins. Se o resultado final não for o que esperava (“o enredo não convenceu”, ”fugiram ao cânone do jogo”, “porque não fizeram em computação gráfica como nas cinemáticas, ao invés de atores?”, etc.), ai sim, você terá todo o direito de reclamar. Mas criticar antes de ver... infelizmente, é um tanto quanto forçado, em qualquer situação.

E sob uma ótica mais “RPGística”,  um ponto que considero ainda mais importante (e que não vale somente para este caso): saiba enxergar a ambientação como um cenário isolado. As vezes, por uma questão de hábito ou conveniência (especialmente quando já estamos acostumados com uma ambientação em particular ou temos nossa “favorita”), dificilmente lembramos de fazer isso. Então, generalizar acaba sendo...  mais "prático" por assim dizer. E com isso, podemos acabar deixando passar detalhes que tornariam um cenário único, sem igual.

Nem sempre um elemento que se encaixa perfeitamente em um determinado cenário, por via de regra, se aplicará da mesma maneira a outros (uma raça, povo, ou criatura considerada maligna em uma ambientação, por exemplo, pode ser exatamente o contrário em outra – e vice-versa). Enfim, contextos diferentes, ambientações diferentes, origens diferentes, e consequentemente perspectivas diferentes.

Sempre existirá aquele hábito clássico que possuímos de comparar este com aquele cenário? Certamente que sim. Mas tendo isso em mente, as coisas podem mudar um pouco de figura (ou não, rs).

O Mundo de Warcraft no RPG:
Warcraft RPG
No que diz respeito a trazer o mundo de Warcraft para as mesas de jogo, ocorreram duas tentativas (oficialmente falando, claro). A primeira foi em 2003, com o livro Dungeons & Dragons: Warcraft Roleplaying Game, publicado White Wolf Publishing através da sua subsidiária Sword & Sorcery, que buscou adaptar os acontecimentos e elementos dos jogos da franquia até Warcraft III: Reign of Chaos, para as regras do sistema de D&D 3.5 / d20 (ou seja, ele dependia dos livros básicos de D&D). Um fato curioso desse projeto, foi a intensa participação de membros da equipe de criação dos jogos como coautores nos livros. O próprio Chris Metzen por exemplo, além de escrever, também fez diversas artes – e acreditem, os trabalhos dele não são de se jogar fora!  Ainda que, em minha opinião, quem realmente “roube a cena” nesse quesito sejam as artes de Samwise Didier. rs

Além deste livro básico (detalhando principalmente o continente de Kalimdor), também foram publicados cinco suplementos: Manual of Monsters (um bestiário descrevendo diversas criaturas de Azeroth), Alliance & Horde Compendium (apresentando novas raças, mecânicas e expandindo as informações sobre as facções existentes), Magic & Mayhem (dedicado aos vários tipos de magia existentes, assim como itens mágicos e aparatos tecnológicos), Lands of Conflict (detalhando o antigo continente de Azeroth, que mais tarde passou a ser referenciado no jogo como “Reinos do Leste” somente; vale ressaltar que, na época, esse suplemento foi disponibilizado gratuitamente para download), e Shadows & Light (mais focado em personagens épicos e aventuras planares, trazendo informações sobre heróis e criaturas lendárias, assim como sobre a cosmologia e os planos de existência do cenário). No Brasil, destes livros, somente o livro básico (que manteve o nome original) e o bestiário (conhecido aqui como Warcraft Roleplaying Game - Livro dos Monstros) foram publicados em português, ambos pela Devir Livraria em 2004, e já se encontram fora de catálogo (ou seja, raridades em potencial).

World of Warcraft RPG
A segunda tentativa ocorreu em 2005, com World of Warcraft: The Roleplaying Game, também publicado pela White Wolf Publishing através da Sword & Sorcery. Diferente do antecessor, esta nova edição foi um jogo d20 independente, trazendo todas as regras necessárias para jogar em um grande único livro (ainda que as mudanças propostas nas regras resultassem em trabalho adicional para utilizá-lo com outros livros do sistema d20) e atualizava a historia do mundo com elementos do até então recém lançado MMORPG.

Esta nova edição teve seis suplementos publicados: More Magic & Mayhem (uma versão atualizada de seu antecessor), Lands of Mistery (trazendo informações detalhadas sobre as regiões de Kalimdor, as Ilhas do Sul e Nortundria), Alliance Player’s Guide e Horde Player’s Guide (ambos fornecendo informações sobre as respectivas facções e os povos as compõem, sendo praticamente o compêndio da edição anterior dividido e expandido), Monster Guide (um bestiário atualizado e consideravelmente expandido) e Dark Factions (apresentando diversas novas raças, mecânicas e informações sobre quinze facções neutras existentes no cenário). Infelizmente, assim como seu antecessor, estes livros já se encontram fora de catálogo e nenhum deles foi traduzido para o nosso idioma.

Uma observação relevante (no mínimo), curiosa: oficialmente, todas estas publicações são consideradas como “não canônicas”, isto é, seu conteúdo não possui qualquer peso oficial sobre a história dos jogos. Segundo o parecer oficial da Blizzard, apesar de ter contribuído com a geração do conteúdo destes livros, a flexibilidade e as inúmeras possibilidades que podem ocorrer em uma sessão de RPG, podem fazer com que o rumo das histórias divirja do estabelecido como cânone dentro dos jogos eletrônicos. Então meus amigos, não se esqueçam disso se entrarem em alguma discussão sobre os jogos e ficarem tentados a se basear nos livros para argumentar algo. ;-)

Apesar de não existir uma adaptação oficial do mundo de Warcraft sendo publicada atualmente, é possível encontrar várias versões pessoais para os mais diversos sistemas e gostos espalhadas pela internet. Basta dedicar algum tempo procurando uma que lhe agrade. Ou modificando alguma que se aproxime desse objetivo... ou simplesmente mandando tudo lá para onde Sargeras perdeu as botas e elaborando sua própria adaptação do zero! A escolha é sua.

Afinal de contas, nunca se sabe quando pode aparecer aquele novo jogador ou a galera que pode vir a ser seu futuro grupo de jogo, justamente porque ficou hiper empolgada com um filme que acabou de assistir, não é mesmo?

Notas do Veterano:
1) A citação utilizada no início deste artigo foi dita no (excelente) trailer cinematográfico de abertura de World of Warcraft: Legion, também divulgada na BlizzCon 2015.
 
2) Alguns pontos levantados neste artigo, só foram formulados, graças a uma discussão (sadia) que andou ocorrendo nos últimos dias na comunidade de D&D 5.ª Edição mantida pela REDERPG. Aos que participaram da mesma, meus sinceros agradecimentos.
 
3) Para os leitores que ficaram interessados em conhecer mais sobre a história de Azeroth, mas não sabem por onde exatamente começar, o site WoWGirl fez um trabalho magnífico com relação a isso, elaborando um guia contendo uma sugestão de ordem de leitura (cronológica) dos romances e contos até então publicados, bem como uma série de artigos sobre a história do cenário (Continuem com o excelente trabalho, senhoritas! O Veterano é um apreciador incondicional do trabalho de vocês!).

4) É possível encontrar muitos dos romances do universo de Warcraft no site da Amazon, tanto em versão digital quanto física. Vale a pena fazer uma pesquisa.

 
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